Lembram o que eu falei sobre o tempo estar mais rápido do que de costume? Hoje, dia 7 de setembro, decidi escrever esta postagem após constatar que se completa, nesse exato momento, um ano desde que o meu irmão Bob morreu. Bob, para quem não se lembra, era/é o meu irmão cachorro. Eu o tinha desde os meus sete anos de idade. Ele viveu nove. Morreu dia 7 de setembro de 2009, quatro dias antes do meu aniversário de dezesseis anos e dois dias antes do aniversário de cinquenta anos de minha mãe. Hoje, completando um ano, faltam quatro dias para os meus dezessete anos e dois dias para os cinquenta e um de minha mãe. Mas eu me lembro da dor, do amor e do desespero como se fosse ontem...
Essa postagem é mais uma homenagem ao meu querido irmãozinho e será sobre ele que eu vou falar. Quero que vocês saibam o bem que este cachorro me fez. Bem que ninguém nunca conseguiu fazer, pois ele era muito mais valioso pra mim do que qualquer ser humano na Terra, excluindo meus pais. Ele recebia/recebe amor equivalente ao que eu dou aos meus pais. Como eu sempre disse, eu nunca trocaria o amor de meus cães por dinheiro algum no mundo ou uma forma mais fácil de subir na vida, porque esses cães são a minha vida. Com o Bob não era nem um pouco diferente.
Aos sete anos eu fazia xixi na cama. Eu era um garoto muito solitário, pois com o meu pai doente e minha mãe trabalhando (e sem ter amigos) eu nunca tinha com quem conversar. Um dia, para resolver o problema, minha mãe me levou ao psicólogo de crianças (como se chama isso?!) que lhe aconselhou a comprar um cachorrinho, pois o meu problema era a solidão. No dia seguinte, minha mãe trouxe aquele poodle negro e pequenininho pra casa, graças a uma amiga dela. Ele era o filhote mais magrinho da cadela, mas era o que minha mãe mais gostou. E não foi à toa.
Fomos crescendo juntos. Tantas e tantas vezes que eu o colocava para ler livros, de castigo. Tantas e tantas vezes que eu corria em volta de nossa antiga casa com ele me perseguindo, até que ele me surpreendia com sua inteligência e dava a volta ao contrário, para me pegar de frente. Tantas e tantas vezes ele me abraçou quando eu não tinha mais a quem segurar. E foi ele quem me fez parar de mijar na cama. Ele passou a dormir comigo na cama. Sua companhia era/é inestimável. NADA no mundo me faria trocar toda essa troca de amor. E aí, depois de alguns anos, encontrei uma vira-lata, que se transformou na minha cadela-malho-todo-dia Milenna.
Milenna e Bob desenvolveram um lindo amor, ou seja, cruzaram. Desse amor, nasceu a chave maior, a única herança — além das lembranças e do amor — que ele poderia me deixar: Crystal. Eu era apaixonado pela Sandy na época que ela fazia a personagem de mesmo nome, então coloquei o nome da filhotinho de Crystal. Entre todos os filhotes, todos a consideravam a mais feia. Ela não tinha um pêlo brilhante como os outros, que logo foram adotados. Ela tinha o pêlo desgrenhado e muito opaco. Mas o que ela tinha que NENHUM outro tinha eram os olhos do pai. Ela me olhava da mesma maneira que o Bob e foi por isso que eu a escolhi. Ou ela me escolheu...
De qualquer maneira, ele está morto agora. Pelo menos o seu corpo está, pois acredito em reencarnação e sei que a fase canina é a última para que a alma encarne em um corpo humano. Bob voltará. Não sei voltará para nossa família, mas ele voltará. Não importa quantos séculos passem ou quantas vidas eu viva, o meu amor por esses três será mais do que eterno. E, Bob, você será pra sempre o maior presente da minha vida. Assim como te resgatamos de ter um futuro pouco amado, você nos resgatou (eu, minha mãe, meu pai) de termos um futuro quebrado, triste e sem boas lembranças.
Você é a chave para quem eu sou hoje. É por você que eu sou quem eu sou. O meu medo é de que você nunca saiba disso...
Beijos, abraços & flashes!
Enrique Coimbra (te amo, Bob!)


3 comentários:
Ai,que lindo!
Nossa,foi sincero...
eu não gosto muito de ter cachorros ou gatos de estimação...
porque? não é implicancia...
é medo!
eu tive uma cachorrinha qaundo era criança(4 ano), era aquela raça,magrinha ,sem pelos,parecia um ratinho e cabia na minha mão e o nome dela era Dara...
ela morreu de cançer,na mesma epoca que minha avo morreu...
na epoca e ate hoje,os seres mais importantes da minha vida...
então resolvi não ter mais animais carinhosos e tals.só animais frios repteis e tal...
enfim...senti um pouco saudade da Dara...lendo seu post...
D;/~]
na verdade, o Bob morreu dia 7 de setembro de 2008.
É meu bom, a vida é assim...
A todo momento seres que amamos entram e saiem de nossas vidas, sempre deixando algo deles e carregando algo nosso. É o que existe de belo na partida, e ao mesmo tempo o que existe de mais triste.
Porém esse tipo de coisa é fundamental no nosso desenvolvimento pessoal, nos tornam pessoas melhores, embasadas em sentimentos que não são de ordem humana, nos trazendo um pouco do divino. Essa é a nossa bagagem, o que iremos levar por toda a nossa vida. Independente se esses afetos são relacionados a pessoas ou animais. A essência é a mesma, o "AMOR".
Mayck Maciel
www.mayckmaciel.blogspot.com
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